quinta-feira, 10 de março de 2011

Fingir para quê?

Decididamente eu não sei fingir. Por isso que as pessoas me amam ou me odeiam (adoro isso)... Mas, eu ando pensando que isso - fingir - às vezes nos gera bônus que deixam nosso saco menos cheio, e por conseguinte, a gente ouve menos besteiras. Mesmo assim eu não consigo escolher "o fingir".

Eu não consigo fazer cara de contente quando eu estou de saco cheio. Não consigo ficar numa conversa sem conteúdo e fingir que aquilo ali está me agregando muitos valores... Eu não consigo chamar de bonitinho o que para mim é ridículo. Eu não consigo admirar o que não me chama nenhuma atenção. Eu não consigo agradar quem eu não tenho vontade de agradar. Eu não consigo fazer de conta que está tudo bem quando tudo está uma merda. Eu não consigo deixar de ver um "ç" quando o léxico pede um "ss". Eu não consigo aturar quem mente e quem adora ser o centro das atenções. Eu não consigo dar risinhos gentis para quem eu não cultivo nenhum tipo de estima...

Sim! Eu sou uma criatura chata. Chatíssima.

E eu quero seguir sem saber fingir... Ai, isso - fingir - é decadência! Fim do túnel! Decreto de que "eu não tenho conteúdo e nem personalidade"...

Sim! Eu sou uma criatura chata.... Chatérrima.

Mas o que leva as pessoas ao fingimento? A serem criaturinhas fofas, porém medíocres?

Prefiro ser chaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaata!

Acho que isso é um desabafo, ando meio estressada com coisas que vejo... e pior, não sei fingir que tudo está lindo e o céu azul.

Prefiro fazer aquela cara nojenta de quem está achando tudo muito ridículo do que fingir que o mundo é cor de rosa... Afff.

Gente, como eu sou chata! Nossa!

Um comentário:

Joaninha disse...

Olá!

Desculpa o atrevimento mas não pude deixar de comentar.
Fogo, como me identifico com as tuas palavras. Sou assim, tão chata quanto tu! E o que importa, afinal?
Tenho sido "deixada para trás", frequentemente, por também não saber fingir, por não conseguir estar perto de pessoas que não me causam nenhum tipo de sensação, ou de pessoas que me irritam. A maioria dessa gente que anda por este Mundo consegue estar onde não quer estar, consegue conversar e ouvir outros (outros que não são amigos, que não são próximos, que não são quase nada). Eu não consigo, não consigo dizer que "sim" quando me apetece gritar "NÃO", não dá para fingir sentimentos, motivações. Para piorar também não consigo estar perto de pessoas que sei que não simpatizam comigo (arde-me a pele).
Acho, cada vez mais, que a grande maioria das relações e conecções que existem nesta sociedade não passam de uma grande farsa. Vivemos num Mundo falso onde (quase) toda a gente faz de conta.

Continua :)